segunda-feira, 9 de maio de 2011

O Diário: Anne Frank e Eu




O presente projeto de ação educativa surgiu após a leitura do instigante diário escrito por Anne Frank, uma garota de treze anos que não temia em dizer a verdade sobre a sua vida, sentimentos, família, relacionamentos e também sobre as atrocidades sofridas pelos judeus durante a II Guerra Mundial.
        Anne Frank, sua família e mais quatro pessoas (todos judeus), ficaram escondidos dos alemães durante 25 meses, em um local por eles denominado de Anexo Secreto. Anne tinha no diário o seu único confidente, e após escutar no rádio que quando terminada a guerra, os diários e cartas escritos durante esse período deveriam seu preservados e divulgados, ela com quinze anos passou a reescrevê-lo com mais informações, tentando realmente registrar todas as impressões que tinha sobre a condição humana durante a II Guerra.
     Sustentada por sua cordialidade, espírito, inteligência e pelos grandes recursos de sua vida interior, Anne escreveu e pensou sobre as coisas que pensam os adolescentes sensíveis e talentosos – relação com os pais, crescente consciência de si mesmos, problemas da transição para a vida adulta. (ELEANOR ROOSEVELT, 1958)

         Nada mais oportuno do que promover a leitura desse diário por meninas adolescentes, e a partir desta experiência proporcionarmos a elaboração de uma exposição em comemoração aos 64 anos do término da II Guerra, em 8 de maio de 2009.
         A Ação Educativa intitulada O Diário: Anne Frank e Eu é uma proposta de uso e apropriação da história da II Guerra Mundial, com ênfase na questão do Holocausto, sob o ponto de vista das adolescentes participantes do projeto.



  
Alunas folheando diários escritos na década de 1990


OBJETIVOS GERAIS:
         - Sendo o Centro de Documentação da II Guerra uma instituição cultural voltada para a integração com a população, para assim cumprir o seu principal papel como agente transformador da sociedade, entendemos que podemos trabalhar de forma efetiva na diminuição dos preconceitos e da intolerância entre as pessoas.
        - divulgação do Centro de Documentação como um espaço de memória, conhecimento e lazer.
        - utilização da exposição como um recurso didático para a rede escolar ao se estudar a II Guerra Mundial
        - proporcionar reflexões sobre o que pode ser considerado o holocausto de nossos dias.
O processo educativo, em qualquer área de ensino/aprendizagem, tem como objetivo levar os alunos a utilizarem suas capacidades intelectuais para a aquisição de conceitos e habilidades, assim como para o uso desses conceitos e habilidades na prática, em sua vida diária e no próprio processo educacional. A aquisição é reforçada pelo uso dos conceitos e habilidades, e o uso leva à aquisição de novas habilidades e conceitos. (Maria de Lourdes Parreiras Horta)

OBJETIVOS ESPECÍFICOS:
        - desenvolvimento do auto-conhecimento das adolescentes e da consciência sobre a importância da tolerância mútua, para que barbaridades como as da II Guerra não voltem a ocorrer.
        - utilizar a ação educativa e a exposição como instrumentos de motivação, individual e coletiva, para a prática da cidadania e o estabelecimento de um diálogo enriquecedor entre as gerações.
     
SOBRE A AÇÃO EDUCATIVA:
         O princípio básico do projeto é a experiência direta com o diário de Anne Frank e a troca de experiências entre as adolescentes para se chegar à compreensão do que foi o holocausto, num processo contínuo de descoberta.
        Em um segundo momento do projeto, todas as discussões e produções realizadas durante os encontros ficarão em exposição para uma divulgação maior desses conceitos para toda a comunidade.
O conhecimento crítico e a apropriação consciente por parte das comunidades e indivíduos do seu “patrimônio” são fatores indispensáveis no processo de preservação sustentável desses bens, assim como no fortalecimento dos sentimentos de identidade e cidadania. (Maria de Lourdes Parreiras Horta)



1º ENCONTRO – DIA 06 DE ABRIL
         Apresentação do projeto para as 15 adolescentes selecionadas pelos professores de Língua Portuguesa da Escola Municipal Prof.ª Esther Vianna de Bologna, dando prioridade àquelas que se interessam por literatura.
        Entrega do Kit da Ação Educativa: o livro, uma boneca e um caderno.
        A boneca deve ser levada para casa e ser personalizada pela adolescente. Suas roupas, pele, cabelo e acessórios serão formados no decorrer da leitura do livro, de acordo com as impressões que a adolescente deseje passar sobre a personagem Anne Frank.
        O caderno será usado como diário da adolescente, para que a mesma faça suas anotações, comentários e impressões sobre o conteúdo do diário de Anne Frank, assim como também possíveis relações com sua vida pessoal. Para isso a adolescente deve criar pseudônimos tanto para ela quanto para os demais nomes que possam aparecer em seu diário, garantindo assim a sua privacidade e o respeito com os outros. Os cadernos devem ser personalizados desde as capas como em todo conteúdo que for escrito ou desenhado em seu interior.


Diário escrito na década de 1990

ORIENTAÇÕES GERAIS:
        - SOBRE ANNE FRANK: Anne Frank nasceu em 1929, na Alemanha, filha de um banqueiro e de uma dona de casa. Aos 4 anos de idade, Anne foi obrigada a sair do país com sua família após a chegada de Adolph Hitler ao poder. Em 1942, com a perseguição aos judeus deflagrada também na Holanda, Otto Frank, sua mulher e filhas unem-se a mais quatro pessoas e decidem se esconder dos invasores alemães. Por dois anos, até serem delatados, eles tiveram que viver limitados ao anexo do sótão do escritório de Otto Frank. No esconderijo, o diário de Anne era o único instrumento de liberdade que ela possuía, e, nele, relatou a vida cotidiana do anexo Secreto, as transformações sofridas por cada um dos que ali residiam e a angústia daqueles dias. Anne Frank morreu de tifo, no campo de concentração Bergen-Belsen, aos 15 anos de idade.
        - SOBRE A PERSEGUIÇÃO AOS JUDEUS:
Depois de maio de 1940, os bons momentos foram poucos e muito espaçados: primeiro veio a guerra, depois, a capitulação, em seguida, a chegada dos alemães, e foi então que começaram os sofrimentos dos judeus. Nossa liberdade foi gravemente restringida com uma série de decretos anti-semitas: os judeus deveriam usar uma estrela amarela; os judeus eram proibidos de andar nos bondes; os judeus; os judeus eram proibidos de andar de carro, mesmo em seus próprios carros; os judeus deveriam fazer suas compras entre três e cinco horas da tarde; os judeus só deveriam freqüentar barbearias e salões de beleza de proprietários judeus; os judeus eram proibidos de sair às ruas entre oito da noite e seis da manhã; os judeus eram proibidos de freqüentar teatros, cinemas ou ter qualquer outra forma de diversão;(...)

- Pesquisar no dicionário todas as palavras desconhecidas para entender o seu significado.
        - Possíveis comparações que podem ser feitas: descrição dos amigos de sala, os presentes que Anne ganhou no aniversário, a ausência de um amigo em que se possa confiar, membros da família, ambiente escolar, paixões de adolescentes, etc.
        - Realizar uma ficha com as características físicas e de personalidade de cada integrante do Anexo Secreto.
        - Pedir a cada integrante que comece a guardar potes de vidros variados que possam ser pintados para montagem da exposição.

MATERIAL DO PRIMEIRO ENCONTRO:
“O papel tem mais paciência do que as pessoas”
- diários pessoais de uma adolescente, escritos durante as décadas de 1980 e 1990 para que as participantes tenham uma idéia do que seja um diário e como ele  pode ser formado, com figuras, desenhos e anotações.


Kit para intervenção



Fiquei alguns dias sem escrever porque queria, antes de tudo, pensar sobre meu diário. Ter um diário é uma experiência realmente estranha para uma pessoa como eu. Não somente porque nunca escrevi nada antes, mas também porque acho que mais tarde ninguém se interessará, nem mesmo eu, pelos pensamentos de uma garota de 13 anos. Bom, não faz mal. Tenho vontade de escrever e uma necessidade ainda maior de desabafar tudo o que está preso em meu peito. (ANNE FRANK, 20 de junho de 1942)

ATIVIDADE DO 1º ENCONTRO:
        Desenhar a colega com o auxílio do vidro para o registro do primeiro dia da ação educativa e dos semblantes das participantes.(olho no olho)
         Entrega do Kit, do livro e explicações sobre o projeto.



2º ENCONTRO – DIA 13 DE ABRIL
        Leitura de alguns trechos selecionados do diário e debate sobre os personagens.
        Auxílio na elaboração dos diários e sobre as bonecas.
        Assistir ao filme sobre a II Guerra.

3º ENCONTRO – DIA 17 DE ABRIL
         Leitura de alguns trechos selecionados do diário.
        Confecção da mandaluz (mandalas pintadas em vidro que formam o desenho circular com o auxílio de velas).

Mandala é a palavra sânscrita que significa círculo, uma representação geométrica da dinâmica relação entre o homem e o cosmo. De fato, toda mandala é a exposição plástica e visual do retorno à unidade pela delimitação de um espaço sagrado e atualização de um tempo divino.
Nas sociedades primitivas, o ciclo cósmico, que tinha a imagem de uma trajetória circular (circunferência), era identificado como o ano. O simbolismo da santidade e eternidade do templo aparece claramente na estrutura mandálica dos santuários de todas as épocas e civilizações. Uma vez que o plano arquitetônico do templo é obra dos deuses e se encontra no centro muito próximo deles, esse lugar sagrado está livre de toda corrupção terrestre. Daí a associação dos templos às montanhas cósmicas e a função que elas exercem de ligação entre a Terra e o Céu. Como exemplo, temos a enorme construção do templo de Borobudur, em Java, na Indonésia. Outros exemplos que podemos citar são as basílicas e catedrais cristãs da Igreja primitiva, concebidas como imitação da de Jerusalém Celeste, representando uma imagem ordenada do cosmos, do mundo.
A mandala como simbolismo do centro do mundo dá forma não apenas as cidades, aos templos e aos palácios reais, mas também a mais modesta habitação humana. A morada das populações primitivas é comumente edificada a partir de um poste central e coloca seus habitantes em contato com os três níveis da existência: inferior, médio e superior. A habitação para ele não é apenas um abrigo, mas a criação do mundo que ele, imitando os gestos divinos, deve manter e renovar. Assim, a mandala representa para o homem o seu abrigo interior onde se permite um reencontro com Deus. Um exemplo bem típico brasileiro de mandala, a partir da arquitetura, é a planta superior da Catedral de Brasília.
Em termos de artes plásticas, a mandala apresenta sempre grande profusão de cores e representa um objeto ou figura que ajuda na concentração para se atingir outros níveis de contemplação. Há toda uma simbologia envolvida e uma grande variedade de desenhos de acordo com a origem.
 Originalmente criadas em giz, as mandalas são um espaço sagrado de meditação. Atualmente são feitas com areia originárias da Índia. Normalmente divididas em quatro secções, pretende ser um exercício de meditação e contemplação. O objetivo da arte na cultura budista tibetana é reforçar as Quatro Nobres Verdades. As mandalas são consideradas importantíssimas para a preparação de iniciadores ao Budismo, de forma a prepará-los para o estudo do significado da iluminação.
O processo de construção de uma mandala é uma forma de meditação constante. É um processo bastante lento, com movimentos meticulosos. O grande benefício para os que meditam a partir da mandala reside no fato de que a imaginaram mentalmente construída numa detalhada estrutura tridimensional.
No processo da construção de uma madala, a arte transforma-se numa cerimônia religiosa e a religião transforma-se em arte. Quando a mandala está terminada, apresenta-se como uma construção extremamente coloria. Depois do ciclo é desmanchada, a areia é depositada, geralmente, na água. Apenas uma parte é guardada e oferecida aos participantes.
Um monge inicia a destruição desenhando linhas circulares com seu dedo, depois espalham a areia e a colocam em uma urna. Quando a areia é toda recolhida, eles apagam as linhas que serviram de guia à construção e despejam a areia nas águas do rio.

4º ENCONTRO – DIA 24 DE ABRIL
        Assistir ao filme “A lista de Schindler”

5º ENCONTRO – DIA 27 DE ABRIL
         Leitura de alguns trechos selecionados do diário.

6º ENCONTRO – DIA 04 DE MAIO
        Montagem da exposição do Centro de Documentação da II Guerra.
                         Croqui de setorização


EXPOSIÇÃO Abertura no dia 08 de maio de 2009

Setor Anne Frank: 15 Bonecas personalizadas pelas adolescentes que participaram da ação educativa, juntamente com os trechos mais interessantes do diário sobre a personagem Anne Frank, também selecionados pelas adolescentes.

Setor dos diários: 16 diários (1 diário da coordenadora da ação educativa e 15 diários das adolescentes) com anotações, dilemas e confidências relatadas durante a leitura do diário e realização dos encontros.

                                    Leitura dos diários escritos pelas alunas



Setor dos diários: 16 diários (1 diário da coordenadora da ação educativa e 15 diários das adolescentes) com anotações, dilemas e confidências relatadas durante a leitura do diário e realização dos encontros.


“Até agora você tem sido um grande apoio para mim, como também tem sido Kitty, para quem tenho escrito com regularidade. Esse modo de manter um diálogo é bem melhor, e agora, mal posso esperar os momentos de escrever em você.
Ah, estou tão feliz por ter você comigo!
Anne Frank, 28 de setembro de 1942.


Setor Naquela Mesa: Oito cadeiras em volta de uma mesa cada uma representando um dos personagens do esconderijo secreto. Sobre a mesa objetos e utensílios que caracterizam cada um como copos, xícaras, óculos, estrelas amarelas de seis pontas.(legenda em português e braille)



Setor janelas proibidas:
         “Desde o primeiro dia, começamos imediatamente a costurar cortinas. Na verdade, mal dá para chamá-las de cortinas, já que não passam de retalhos de pano – variando grandemente em forma, qualidade e padrão – que papai e eu costuramos de qualquer jeito, com dedos desacostumados. Aquelas obras de arte foram colocadas nas janelas, onde vão ficar até que possamos sair do esconderijo...Claro que não podemos olhar pela janela nem sair... (ANNE FRANK, 11 de julho de 1942).


EM 2010, ESTA EXPOSIÇÃO SE TORNOU ITINERANTE.
aguardem!

sábado, 30 de abril de 2011

Ação Educativa: NUMISMÁTICA

Entre as comemorações dos 50 anos do Museu Histórico e Pedagógico Dr. Washington Luis em 2007, realizamos uma palestra e ação educativa sobre a história do dinheiro no Brasil e a prática da coleção.

 UM POUCO DE HISTÓRIA

Quando não havia dinheiro a forma encontrada para se obter um produto era através da troca do que possuía em excesso...
assim como nas trocas que as crianças fazem...
Entre os produtos de troca os mais aceitos estevam o gado e o sal...
e daí vem a palavra salário.


No Brasil, os produtos de troca foram: pau brasil, búzios, açucar, cacau, tabaco e pano.

O problema era que estes produtos eram difíceis de serem fracionados e guardados...daí transferiram o valor para o metal que era raro, de fácil transporte, e podia ser fracionado.
Moeda de cobre ou bronze em formato de pele de animal circulou na Grécia, lembrando o gado que valia como produto de troca.



 As primeiras moedas de ouro e prata representavam o valor real do material...


posteriormente surgiu o papel moeda como comprovante do valor representado.




Alunos da Escola Célia Bueno conhecendo a coleção de
 cédulas e moedas do museu






Após a palestra, os alunos responderam as questões:

1) Antes de existir a moeda, como os homens compravam os produtos que precisavam?
___________________________________________________________________
2) Assinale os produtos que serviam como moeda no Brasil:
(  ) café              (  ) pau-brasil             (  ) galinha                  (  ) peixe
(  ) arroz             (  ) açúcar                  (  ) pano                     (  ) tabaco
(  ) leite               (  ) gado                    (  ) cacau                    (  ) feijão

3) Assinale qual lado da moeda é a EFÍGIE




4) O que é ANVERSO e REVERSO?
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5) O que você mais gostou de aprender sobre o dinheiro brasileiro?
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E para finalizar, cada criança levou um kit de moedas antigas para iniciar sua coleção!

Alunos da Escola Alzira Acra com os kits de moedas

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Passeio Monitorado pelo centro Histórico de Batatais


“Já faz tempo eu vi você na rua
Cabelo ao vento, gente jovem reunida
Na parede da memória
Esta lembrança é o quadro que dói mais”

Belchior.




1.   INTRODUÇÃO

Nossa cultura vem sendo transmitida através de sucessivas gerações, sempre renovando e se recriando num processo vivo e dinâmico, propiciando à nação a possibilidade de construir sua própria identidade.
        A manifestação dessa identidade se revela através do nosso Patrimônio Cultural que não se restringe somente aos bens culturais móveis e imóveis, como também aos bens imateriais ou intangíveis.
        No entanto, qual o valor dessa nossa riquíssima diversidade cultural, se não a reconhecemos e não aprendemos a respeitá-la?
        Uma sociedade que não se reconhece está fadada à perda de sua identidade e ao enfraquecimento de seus valores mais intrínsecos.
        Diante desta realidade, surge a proposta de uma metodologia para o desenvolvimento de ações voltadas para o uso e apropriação dos bens culturais, através do Passeio Monitorado pelo Centro Histórico de Batatais e divulgação das edificações históricas gerenciadas pela Fundação José Lazzarini.
O conceito de Museu Contemporâneo vem se adequando ao de uma unidade ativa que provoca a preservação e divulgação de seu patrimônio através de vários recursos como exposições, instalações virtuais, eventos e ações educativas e projetos como o presente, que buscam aproximar o público de sua história e cultura.


2.   APRESENTAÇÃO DO PROJETO


        O projeto Passeio Monitorado pelo Centro Histórico de Batatais começou a ser desenvolvido pelo Museu Histórico e Pedagógico Dr. Washington Luis em parceria com a Fundação José Lazzarini em Abril de 2009.
        A idéia inicial do projeto foi sugerida pelo museu por ocasião da 7ª Semana Nacional de Museus promovida pelo Ministério da Cultura, que teve como tema para o ano a discussão do conceito de “Museus e Turismo”.
        Como a cidade de Batatais, localizada no interior do estado de São Paulo, é uma das mais antigas de nossa região com 170 anos e com um patrimônio histórico edificado significativo no centro da cidade, a proposta inicial do Museu foi a de promover um passeio monitorado pelo centro histórico fornecendo informações sobre a configuração urbana da cidade, detalhes de estilos arquitetônicos e história de alguns personagens importantes.
        Em 2009 a Fundação José Lazzarini, uma organização não governamental que trabalha com crianças e adolescentes em situação de risco, ocupava seis edificações para o desenvolvimento de todas as suas atividades, sendo que duas destas edificações são referências de personagens históricos: a casa em que residiu o presidente Washington Luis quando prefeito em Batatais e a casa que pertenceu à família do editor batatataense José Olympio.
        Desta forma, o Museu contatou a direção da Fundação José Lazzarini para propor uma parceria com o intuito de divulgar mais este patrimônio abrigado por ambas as instituições.
A Fundação José Lazzarini cedeu ao museu uma sala em cada edificação, para que parte do acervo do Museu sobre cada personagem pudesse ficar exposta à visitação pública. Em troca, o Museu ofereceu aos 80 adolescentes atendidos pelos projetos da Fundação um mini-curso de capacitação sobre a história de Batatais, patrimônio cultural, Washington Luis e José Olympio; tanto para poder contextualizá-los do acervo que estava sendo exposto nas casas da Fundação José Lazzarini, quanto para selecionar ao final do curso, quatro adolescentes que ajudariam a monitorar o passeio para turmas de alunos da rede escolar, durante o mês de maio
        Para que os adolescentes selecionados fossem reconhecidos pelo trabalho de monitoria realizado, o Museu solicitou à Secretaria Municipal de Esportes e Turismo o valor de R$100,00 (cem reais) para cada adolescente, como pagamento pelo serviço prestado ao município.
        O projeto do Passeio Monitorado pelo Centro Histórico de Batatais foi realizado durante os meses de maio e junho com grande aceitação e aprovação das escolas e sociedade local. A paralisação do projeto ocorreu em julho, por ocasião das férias e retornou como um projeto permanente à disposição da comunidade.

        Na primeira etapa do projeto o Museu Histórico e Pedagógico Dr. Washington Luis promoveu o Mini-Curso de Capacitação para os adolescentes atendidos pelos projetos da Fundação José Lazzarini, sendo oferecidas as aulas sobre:
- UNIDADE 1 – HISTÓRIA DE BATATAIS (1ª semana)
- UNIDADE 2 – PATRIMÔNIO CULTURAL (2ª semana)
- UNIDADE 3 – MEMÓRIA, HISTÓRIA E IDENTIDADE (3ª semana)
- UNIDADE 4 – PATRIMÔNIO E TURISMO (4ª semana)
- UNIDADE 5 – WASHINGTON LUIS E JOSÉ OLYMPIO (5ª semana).
               As aulas foram ministradas voluntariamente pela pesquisadora cultural do Museu Histórico e Pedagógico Dr. Washington Luis, Alessandra Baltazar (arquiteta com especialização na área de patrimônio histórico e docente da Universidade de Franca na área de história da arte e preservação do patrimônio).
        Cada aula foi realizada uma vez por semana, com duração de duas horas aula (50 minutos cada hora aula), para que fosse apresentado o conteúdo e realizado atividades de fixação.
        Na finalização da primeira etapa do projeto foi realizada uma avaliação de conhecimentos sobre o conteúdo da apostila, para a seleção dos quatro adolescentes melhores colocados.
        A segunda etapa do Projeto do Passeio Monitorado pelo Centro Histórico de Batatais foi a divulgação do passeio para a população local (escolas, instituições assistenciais, associações, sindicatos, clubes, agências de turismo e imprensa local e regional).      
Atualmente o Passeio Monitorado ainda é realizado no Centro Histórico de Batatais, percorrendo uma distância de aproximadamente 2 km, e a casa onde residiu o Dr. Washington Luis permanece com o acervo do museu exposto em uma sala aberta para a visitação pública.
 3.   METODOLOGIA DE TRABALHO

3.1 Educação Patrimonial


Atualmente, alguns historiadores e profissionais que lidam com a dimensão da memória vêm propondo no âmbito de suas instituições culturais, sobretudo em museus, a elaboração de programas de Educação Patrimonial.
A origem dessa expressão é inglesa (Heritage Education) e pode ser traduzida como um instrumento de alfabetização cultural, que possibilita ao indivíduo fazer a leitura do mundo que o rodeia, levando-o à compreensão do universo sociocultural e da trajetória histórica-temporal em que está inserido.
Nos últimos anos podemos tomar conhecimento de um número crescente de projetos de revitalização para o centro das principais cidades brasileiras. Tal medida de resgate de centro das cidades é de suma importância para a construção da memória urbana e da cidadania, fazendo parte da Educação Patrimonial no âmbito da Política Cultural.
As edificações de valor artístico ou histórico e as manifestações culturais da cidade são a nossa história viva e, portanto, é dever do governo assegurar a proteção e preservação do bem patrimonial em harmonia com as transformações provenientes do desenvolvimento social e econômico.
A importância das atividades relacionadas à Educação Patrimonial há muito são levantadas e discutidas nos congressos e conferências dos órgãos de preservação:

“A conferência, profundamente convencida de que a melhor garantia de conservação de monumentos e obras de arte vêm do respeito e do interesse dos próprios povos, considerando que esses sentimentos podem ser grandemente favorecidos por uma ação apropriada dos poderes públicos, emite o voto de que os educadores habituem a infância e a juventude a se absterem de danificar os monumentos, quaisquer que eles sejam, e lhes façam aumentar o interesse de uma maneira geral, pela proteção dos testemunhos de toda a civilização”.
(Carta de Atenas, 1931 – Cartas Patrimoniais p.17).

“A autoridade competente deveria empreender uma ação educativa para despertar e desenvolver o respeito e a estima ao passado, especialmente através do ensino de história, da participação de estudantes em determinadas pesquisas, da difusão pela imprensa de informações arqueológicas que provenham de especialistas reconhecidos, da organização de circuitos turísticos, exposições e conferências que tenham por objeto os métodos aplicáveis em matéria de pesquisas arqueológicas assim como os resultados obtidos – da apresentação clara dos sítios arqueológicos explorados e dos monumentos descobertos, da edição, a preços módicos, de monografias e guias de fácil leitura”.
(Recomendação que define os princípios internacionais a serem aplicados em matéria de pesquisas arqueológicas – UNESCO, Nova Delhi 1956).

-      “Uma ação educativa deveria ser empreendida, dentro e fora das escolas, para despertar e desenvolver o respeito do público pelas paisagens e sítios e para tornar mais conhecidas as normas editadas para garantir sua salvaguarda.
-      Os professores encarregados dessa tarefa educativa na escola deveriam receber uma preparação especial, na forma de estágios especializados de estudos em estabelecimentos de ensino médio e superior.
-      A educação do público fora da escola deveria ser tarefa da imprensa, das associações privadas de proteção das paisagens e dos sítios ou de proteção da natureza, dos órgãos encarregados do turismo e das organizações de juventude e de educação popular.”
 (Recomendação relativa à salvaguarda da beleza e do caráter das paisagens e sítios – UNESCO, Paris 1962).
“... cada Estado-membro deveria agir de modo a estimular e desenvolver entre seus cidadãos o interesse e o respeito pelo patrimônio cultural de todas as nações. Tal ação deveria ser empreendida pelos serviços competentes, em cooperação com os serviços educativos, com a imprensa e com outros meios de informação e difusão, com organizações de juventude e de educação popular e com grupos e indivíduos ligados a atividades culturais”.
 (Recomendação sobre medidas destinadas a proibir e impedir a exportação, a importação e a transferência de propriedade ilícitas de bens culturais – UNESCO, Paris 1964).


3.2 Objetivos
A Educação Patrimonial propõe uma nova relação do indivíduo em face ao patrimônio e às ações de preservação, como seminários, jogos, eventos, exposições e passeios para a divulgação do patrimônio nos mais diversificados setores da sociedade. Corresponde a um conjunto de atividades integradas e constantes que alertam o indivíduo da importância da preservação de sua memória e valorização da identidade da cidade.
As propostas da Educação Patrimonial visam informar e conscientizar a população interessada na importância de se preservar o bem cultural e na recuperação do centro histórico, diretamente relacionadas à recuperação do espaço público e resgatando uma relação de afeto da comunidade pelo patrimônio. Assim, desencadeia-se um processo de aproximação da população ao patrimônio, à memória, ao bem cultural, de forma agradável, prazerosa e lúdica; é um instrumento de alfabetização cultural que capacita o indivíduo para a leitura e compreensão do universo sociocultural em que está inserido.
Ao mesmo tempo, considera-se a Educação Patrimonial como um instrumento de desenvolvimento individual e coletivo e de diálogo entre a sociedade e os órgãos responsáveis pela identificação, proteção e promoção do Patrimônio Cultural. Desta forma propicia a troca dos conhecimentos acumulados sobre estes bens pela comunidade e pelos órgãos e instituições.

“A relação do indivíduo e da sociedade com o patrimônio cultural constitui um fenômeno a respeito do qual cumpre-nos refletir com atenção. Somente a correta compreensão deste fenômeno poderá orientar as nossas iniciativas de estimular entre os jovens o interesse pela fruição e preservação desse legado”.
José Aguilera
 (arquiteto especialista em preservação do
 Patrimônio Cultural do IPHAN)

O principal objetivo do projeto de Educação Patrimonial é o de propor uma nova relação da população com seu patrimônio cultural.

        Valorizar o patrimônio cultural significa interagir com o meio em que se vive – o patrimônio que a humanidade tem.
        A busca de uma relação afetiva com os lugares históricos visa inverter o estado de abandono e as ameaças de descaracterização de imóveis históricos, sem impedir que ocorra a adaptação de usos contemporâneos a imóveis preservados.
O interesse pelo referido assunto se deve ao fato das administrações municipais, estaduais e federais cederem cada vez mais atenção às políticas culturais, desenvolvendo medidas que comportam o intuito de preservar a memória de seu povo, através de determinações como tombamentos, preservações e restaurações, além de reavivar o tema da memória a partir do imaginário cotidiano.
        Enfim, a Educação Patrimonial objetiva envolver a comunidade na gestão do Patrimônio, pelo qual ela também é responsável, levando-a a apropriar-se e a usufruir os bens e valores que o constituem.
        Segundo o IPHAN, são objetivos da Educação Patrimonial:
1-    Tornar acessível, aos indivíduos e aos diferentes grupos sociais, os instrumentos e a leitura crítica dos bens culturais em suas múltiplas manifestações, sentidos e significados.
2-    Propiciar o fortalecimento da identidade cultural individual e coletiva, reforçando o sentimento de auto-estima, considerando a cultura brasileira como múltipla e plural.
3-    Estimular a apropriação e o uso, pela comunidade, do Patrimônio Cultural que ela detém e pelo geral é também responsável.
4-    Estimular o diálogo entre a sociedade e os órgãos responsáveis pela identificação, proteção e promoção do Patrimônio Cultural, propiciando a troca de conhecimento acumulados sobre estes bens.
5-    Experimentar e desenvolver metodologias de Educação Patrimonial, que permitam um processo contínuo de conhecimento e compreensão e avaliação dessas ações.
6-    Promover a produção de novos conhecimentos sobre a dinâmica cultural e seus resultados, incorporando-os às ações de identificação, proteção e valorização do Patrimônio Cultural no nível das comunidades locais e das instituições envolvidas.

3.3 Metodologia aplicada

O planejamento e a implementação de ações de Educação Patrimonial contemplaram as seguintes etapas:
1-   Definição de público alvo e dos agentes educacionais
O público alvo da ação educativa foram em primeiro momento os 80 adolescentes da Fundação José Lazzarini, para posteriormente eles se tornarem os agentes educacionais para o público alvo de alunos do ensino fundamental.
2-   Definição do objeto/ tema
O tema trabalhado na ação educativa com os adolescentes da Fundação José Lazzarini foi o Patrimônio Cultural de Batatais (histórico, artístico e arquitetônico).
O objeto trabalhado foi o patrimônio arquitetônico de Batatais e as váriaspossibilidades de entendimento de nossa história através destas edificações.
3-   Definição da metodologia (observação, registro, extrapolação).
OBSERVAÇÃO: apresentação das edificações e da história de Batatais através de slides e material da apostila preparada para os adolescentes. Realização do passeio monitorado com os adolescentes, indicando aspectos da construção, explicando fatos históricos e características urbanas de Batatais
REGISTRO: Os adolescentes fizeram uma redação sobre o que mais marcou no passeio monitorado, tiraram fotografias e fizeram exercícios de identificação de algumas janelas.
4-   Elaboração de material de apoio para o aluno e para o professor
Apostila para os adolescentes (vide anexo)
Exposição fotográfica de janelas de Batatais (vide anexo)
Folder com informações de algumas edificações e o roteiro do Passeio Monitorado para todos que participaram do passeio (vide anexo)
5-   Elaboração de instrumentos de avaliação
Os adolescentes foram avaliados apenas na redação e com um debate no final da primeira etapa. Neste momento a coordenadora do projeto pediu para que eles manifestassem os pontos positivos e negativos do trabalho, além de indicarem sugestões. Todos se demonstraram satisfeitos com o aprendizado, que não se tornou cansativo, pois está diretamente relacionado ao cotidiano dos mesmos.
4.   CONCLUSÃO

Quem participa do Passeio Monitorado e visita as edificações históricas gerenciadas pela Fundação José Lazzarini, pode encontrar os mais diversificados objetos da memória de nossa cidade e de nossa cultura, relacionados a objetos do cotidiano, trabalho, vestimenta, mobiliário, fotografias, documentos e objetos dos ilustres personagens Washington Luis, José Olympio e Altino Arantes.
        Batatais possui um vasto acervo histórico ao acesso de todos, que corresponde às edificações antigas, principalmente do centro da cidade, que devem ser preservados de forma espontânea pela população, pois andar pela cidade é alargar os muros do museu.
        O projeto apresentado é importante porque conjuga o patrimônio da Estância Turística de Batatais com a sua população, possibilitando o conhecimento e o acesso à história de nossa cidade de forma prazerosa, lúdica e educativa.
A parceria do Museu Histórico e Pedagógico Dr. Washington Luis com a Fundação José Lazarini para o desenvolvimento do projeto de Passeio Monitorado pelo Centro Histórico de Batatais, visa preservar o patrimônio histórico da cidade, criando espaços de conhecimento, locais de trocas de informações e momentos de lazer, que ao mesmo tempo conservam os acervos dando as ferramentas para que se compreendam os processos de construção da memória e as necessidades de preservação dos produtos da atividade humana.
Segundo o dicionário Aurélio a “educação é o processo de desenvolvimento da capacidade física, intelectual e moral da criança e do ser humano em geral, visando à sua melhor integração individual e social.”
Isso significa tomar os objetos e expressões do Patrimônio Cultural como ponto de partida para a atividade pedagógica, observando-os, questionando-os e explorando todos os seus aspectos, que podem ser traduzidos em conceitos e conhecimentos.
Através de ações voltadas à preservação e compreensão do Patrimônio Cultural, este projeto torna-se um veículo de aproximação, conhecimento, integração e aprendizagem de crianças, jovens, adultos e idosos, objetivando que os mesmos (re) conheçam, (re) valorizem e se (re) apropriem de toda uma herança cultural que a eles pertence, proporcionando aos mesmos uma postura mais crítica e atuante na (re) construção de sua identidade e cidadania.




5.   REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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