quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

CIDADES FANTASMA

O professor do Departamento de Arquitetura e Urbanismo do CTU, Nestor Razente, lançou o livro "Povoações abandonadas no Brasil" que faz um levantamento inédito sobre cidades brasileiras que morreram, ou seja, perderam suas populações, deixando um rastro de ruínas, além do registro histórico. 








O autor explica que oito cidades brasileiras deixaram de existir entre os séculos 19 e 20 - Ararapira (PR), Biribiri (MG), Airão Velho (AM), Desemboque (MG), Bom Jesus do Tocantins (TO), Cocori (SE), Fordlândia (PA) e Ouro Fino (MG). Destes municípios o professor conseguiu visitar pelo menos três, onde fez um levantamento sobre as ruínas, condições topográficas, além de registros fotográficos. Os demais o professor conseguiu reunir materiais inéditos, que estão organizados no livro em 372 páginas, com 97 imagens. 

Mais informações: 



LEVANTINISMO???

TCC espanhol apresenta um novo conceito que representa a tendência a suspender as regras que regem o território no momento em que era comum aos espanhóis possuírem uma segunda casa. 
LEVANTINISMO, no Oriente significa as pessoas originárias de grupos sociais inferiores, que aspiram ascender socialmente redundando em deformações específicas de consciência e atitude. A pretensão do indivíduo em ser o que não é gera o anseio de imitar modelos de um grupo social mais alto.

(O Processo Civilizador 2: Formação do Estado e Civilização)


E a história se repete...

Há mais de 15 anos pesquisando sobre a preservação do patrimônio nas cidades brasileiras e ainda encontrando manchetes sobre o descaso com a história em nosso país.


http://oglobo.globo.com/rio/crescimento-da-cidade-derruba-palacios-igrejas-casarios-20586381


domingo, 27 de março de 2016

PONTUAÇÃO DO PATRIMÔNIO

Para auxiliar o debate sobre o valor patrimonial podemos utilizar a tabela abaixo, que avalia o grau de LEGITIMIDADE, PARTICULARIDADE e AMPLITUDE

                                       1                                 2                             3

LEGITIMIDADE    uma pessoa pode            muitas pessoas               todos conhecem e
                                           confirmar a história         podem confirmar          acreditam na história


PARTICULARIDADE  história que pode ter    história que pode ter        história que só pode
                                           acontecido em qualquer    acontecido em algumas      ter acontecido nesta
                                                  cidade                                   cidades                              cidade


AMPLITUDE       é uma história                       é uma história                   é uma história
                                importante apenas para        importante para várias             importante para
                                           quem a viveu                       pessoas                     a população inteira


Tabela adaptada do material educativo da Pinacoteca do Estado


sábado, 10 de outubro de 2015

Incêndio destrói prédio do antigo Hotel Comércio, em Santo Ângelo.

TRABALHO DE TÉCNICAS RETROSPECTIVAS

Breno Teixeira



Incêndio destrói prédio do antigo Hotel Comércio, em Santo Ângelo
Um incêndio se rompeu no início da tarde desta quinta-feira (03), em Santo Ângelo, quando o prédio do antigo Hotel Comércio foi atingido pelo fogo. O prédio histórico está localizado na Avenida Brasil entre as quadras da Avenida Venâncio Aires e marechal Floriano, ao lado da Praça do Brique.
Imediatamente viaturas e caminhões da Guarnição do Corpo de Bombeiros, Brigada Militar se deslocaram para o local do incêndio.


A movimentação é intensa no local, principalmente de empresários com lojas localizadas ao lado do prédio sinistrado. Os donos das empresas e funcionários tentavam salvar o que podiam.
Análise Patológica
            É evidente que a causa principal das patologias que serão identificadas a seguir foio incêndio, que atingiu principalmente o telhado, mas também teve pequenos focos em cômodos interiores. Uma patologia que surgiu devido às chamas seria na estrutura do telhado, com o fogo, parte da estrutura de madeira cedeu e com isso as telhas caíram comprometendo toda a estrutura da cobertura. Outra patologia presente após o incêndio seria na pintura das paredes, que com o calor e o fogo, a tinta ficou destruída e manchada, também afetou o piso, deixando-o queimado, empenado e precisando de reparos.
            Mas analisando as fotos da fachada, nota-se que o estado de conservação já era precário mesmo antes do incêndio. Percebem-se patologias na pintura da fachada, como descascamentos, buracos na pintura onde a parede aparece crua e manchas escuras. O madeiramento das portas e janelas também apresentam problemas de pintura descascando, além de madeiras empinadas e quebradas e também vidros quebrados. Os detalhes em gesso que foram feitos em cima das portas, janelas e na parte superior, também apresentam patologias, faltando alguns pedaços que quebraram, pintura descascando e manchas.

Soluções
            Primeiramente deve-se analisar até que ponto a estrutura foi comprometida no prédio todo, pois o fogo pode ter danificado os pilares e vigas. Após conseguir um diagnóstico do dano total à estrutura, devem-se fazer os reparos e reforços necessários para que se tenha segurança. Depois o telhado deve ser refeito do zero devido as grandes extensões dos danos causados pelo incêndio, buscando usar materiais idênticos ou réplicas, tanto no madeiramento, quanto nas telhas, para que o edifício não perca sua identidade histórica. As paredes devem ser repintadas após analise da cor e tipo que foi utilizado originalmente, buscando chegar o mais próximo possível do original. O piso deve passar pelo mesmo processo de substituição do danificado por um novo que respeite o original.
            Na fachada do edifício, as patologias também devem ser restauradas. A pintura deve ser retirada e ser pintado novamente, com a mesma cor e tipo da pintura original. O mesmo vale para os detalhes de gesso que estão deteriorados, deve-se reparar as partes que estão quebradas, mantendo o estilo uniforme, com todos os detalhes, ser pintado novamente com a mesma cor original. As portas e janelas devem ter um tratamento de reparação, desempenando e substituindo as madeiras, repintura com cor original e substituir os vidros quebrados.

Fonte: http://radiocidadesa.com.br/index.php?module=news&action=detail&id=3981



JUIZ DE FORA (MG) - DEGRADAÇÃO POR TRÁS DE TELAS.

TRABALHO DE TÉCNICAS RETROSPECTIVAS

JUIZ DE FORA (MG) - DEGRADAÇÃO POR TRÁS DE TELAS.



Do lado de dentro, as pinturas de Angelo Bigi fazem lembrar o início do século XX, época em que a Associação Comercial passou a fazer parte do conjunto arquitetônico da Praça da Estação. Na parte externa, as condições da fachada põem em risco quem passa pela calçada. Inaugurado em 1915, o prédio que abriga a instituição vira mais um ano sem ser restaurado. Para impedir que partes de reboco caiam no pedestre, há cerca de oito meses, tapumes cobrem a frente do edifício. Questionado sobre a reforma, já que o bem é tombado como patrimônio municipal desde 1998, o vice-presidente da Associação Comercial, Aloísio Vasconcelos, que assume o cargo de presidente em janeiro, diz que as obras da parte externaorçadas em R$ 170 mil, devem ser executadas ainda no primeiro semestre de 2014.
Os recursos, segundo ele, serão captados via Lei Rouanet.
A última grande reforma, de acordo com Vasconcelos, ocorreu entre 1999 e
2001. Em pouco mais de dez anos, o imóvel apresenta pintura danificada, parte do
forro da sede histórica descolando, estrutura da janela deteriorada, tijolos aparentes
e infiltrações. Obras do pintor italiano também apresentam manchas e rachaduras.
“As edificações antigas requerem um cuidado a mais. Historicamente aquela região
é muito úmida, já foi alagada. Os cômodos com pinturas de Bigi ficavam e acho que
ainda ficam muito fechados. Isso pode contribuir para que o problema se agrave”,
explica a arquiteta responsável pela restauração Fernanda Nogueira, ressaltando
que ainda falta a liberação do alvará de realização das obras. “A reforma externa foi
aprovada em 2012. Como, neste tempo, houve mais estragos na fachada, o mapa
de danos aumentou, e tivemos que refazê-lo”, diz Fernanda.
Para resgatar as características da época em que o prédio foi erguido,
Fernanda disse que será feito um trabalho de prospecção. “É como se fosse um
recorte na parede com vários planos. A ideia é achar a pintura original. Parece que,
na outra restauração, não conseguiram definir qual era. Queremos manter todo o
visual.” Conforme Vasconcelos, o projeto de captação da verba vai ser feito no início
de 2014, mas, segundo ele, não haverá dificuldade para levantar as empresas que
financiarão os trabalhos. Há também a expectativa de usar a lei de transferência de
potencial construtivo do local.
Legado de Angelo Bigi ameaçado


A demolição, em 2009, de uma parede com pintura decorativa atribuída a
Angelo Bigi continua sendo motivo de discussão entre a direção da Associação
Comercial e o Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Cultural de Juiz de
Fora (Comppac), que ainda não aprovou o projeto de restauração da parte interna
do prédio. De acordo com Vasconcelos, a intenção era ligar os vários departamentos
da instituição ao museu do comércio, que seria aberto no local. Depois de ir abaixo,
a parede foi reerguida a pedido do Comppac, porém, em branco. Em matéria
publicada na Tribuna em julho de 2012, o atual presidente da Associação Comercial
Cláudio Horta garantiu que ela seria refeita de acordo com as orientações. Umaação contra a Associação ainda corre no Ministério Público. Conforme Fernanda, essa seria a causa de o Comppac ainda não ter aprovado o projeto de reforma do interior do imóvel. “O projeto foi feito há cerca de três anos, mas há uma discordância entre a Associação e o Comppac. O documento prevê a pintura de todo o espaço. Na época, só autorizaram uma reforma emergencial no telhado, porque os vazamentos estavam degradando a obra de Bigi”, comenta a arquiteta.” Aqui dentro, pouca intervenção precisa ser feita. A necessidade maior está do lado de fora, mas, nestes anos, fizemos alguma manutenção internamente”, defende Vasconcelos. Devido à falta de conservação, a Associação Comercial perdeu, em 2010, a isenção de IPTU, que é garantida aos bens tombados. “Existe muito pouco incentivo para este tipo de imóvel. As políticas públicas criam uma série de dificuldades”, argumenta Vasconcelos. “A reforma da fachada já poderia ter sido feita, e o prédio poderia estar em outro estado de conservação. Nenhuma legislação municipal e estadual garante apoio de reforma aos imóveis particulares”, observa Toninho Dutra, superintende da Funalfa e presidente do Comppac. História descaracterizada Enquanto os trabalhos não começam, os tapumes escondem parte da memória do município. Na entrada principal da Associação Comercial, o chão coberto por ladrilhos hidráulicos leva a uma escada de madeira que dá acesso ao andar superior, onde está o salão histórico com as pinturas de Angelo Bigi. No local, que tem piso de madeira, lustres e mobiliário originais ainda são mantidos. O acervo é composto por edições do jornal “Gazeta Comercial”, que circulou na cidade no século XX, além de objetos e documentos, como um livro em que Rui Barbosa registra, de próprio punho, que o município era a “Barcelona Mineira.” Anos depois de erguido, o conjunto sofreu algumas intervenções. Ganhou um anexo, e parte da construção original foi descaracterizada. Neste mesmo espaço, os ladrilhos do século XX deram lugar a ardósias. Paredes foram construídas e outras, demolidas. “Foi para atender uma necessidade da diretoria na época, mas a intenção sempre foi manter as características originais”, enfatiza Vasconcelos. Por Marisa Loures. Fonte: Tribuna de Minas



Propostas de soluções aos danos
Quando na fachada há presença de deslocamento de peças do revestimento, terá que ser feito em uma primeira fase a remoção do local afetado que não apresenta boa aderência que suporte, através de corte de esquadria, delimitando preferencialmente áreas retangulares, depois repor um revestimento idêntico ao existente. Recomenda-se trocar todas as telhas, antes de colocar as novas, é necessário executar uma impermeabilização através de uma manta térmica, um item importante com propriedades de isolamento térmico, acústico e impermeabilizante. As paredes que estão com patologia, devem ser raspadas até que se encontre uma superfície sã. Após esse processo é necessário retocar o reboco e a parede deve ser repintada. 


Reportagem: Chalé Tavares Cardoso

TRABALHO DE TÉCNICAS RETROSPECTIVAS
Aline Cristina Cintra

Ano: 2013.

Reportagem. G1

Denúncia do descaso com o Chalé Tavares Cardoso em Icoaraci (De um dos moradores da cidade, e apreciador da construção histórica)
Senhor Presidente,
Senhores Deputados,
Senhoras Deputadas,
Utilizo essa tribuna para denunciar mais um descaso com o patrimônio histórico de nossa linda capital, Belém. Não bastasse o abandono dos prédios que integram nosso conjunto arquitetônico, no centro da cidade, e a tentativa de construção de um shopping em plena área histórica, agora estamos tendo que assistir ao prédio do Chalé Tavares Cardoso, em Icoaraci, cair aos pedaços e ser tomado por mato e lama, sem que nada seja feito.
É isso mesmo, o prédio está completamente abandonado e representa parte importante da história de nossa cidade. No último domingo, uma reportagem publicada no jornal Diário do Pará denunciou a situação do Chalé Tavares Cardoso com fotos chocantes, tomado por mato e lama e com ameaças visíveis de desabamento, em função da fragilidade demonstrada em sua estrutura.
Há rachaduras nas paredes, nos corrimões de escadas, a cobertura, que havia sido recuperada em abril deste ano, já demonstra problemas, com goteiras e rachaduras. Há sinais de alagamentos até mesmo dentro do prédio, vidraças quebradas e mal conservadas, enfim, problemas comuns em casos de abandono como o que está sendo registrado naquela belíssima obra da arquitetura.
Concebido em arquitetura eclética, influenciada, principalmente, pelo neoclassicismo francês, o Chalé Tavares Cardoso foi construído para servir de casa da Família Tavares Cardoso, que tinha como seu patriarca o livreiro português Eduardo Tavares Cardoso, proprietário da tradicional Livraria Universal, localizada no centro de Belém e que chegou a ter filial em Lisboa. No início do século passado, durante o ciclo da borracha, era comum as famílias de classe alta de Belém construírem nos distritos mais distantes, principalmente aqueles com orla, suas casas de veraneio. Icoaraci e Mosqueiro eram os locais preferidos por estas famílias.
Ocorre que, com o declínio da economia da borracha, muitas famílias entraram em decadência, dentre estas, a Família Tavares Cardoso, que precisou se desfazer do Chalé Tavares Cardoso, vendendo-o para o Governo do Estado, que o transformou em uma Escola Ginasial. E a partir de 1972, o prédio passou a abrigar a então recém criada Biblioteca Pública Municipal Avertano Rocha.
Durante a minha gestão como prefeito de Belém em 2000, a Biblioteca Municipal, após ter passado por três sedes provisórias, pôde, finalmente, retornar ao Chalé Tavares Cardoso, já restaurado, incluindo o paisagismo de sua área externa. Em conseqüência disso, houve o aumento do número de usuários, chegando a mais de mil visitantes/dia. Era notório que a Biblioteca Municipal havia se fortalecido e passava a ser referência de espaço cultural, democrático e dinâmico. Vale ressaltar que o belíssimo prédio, além de biblioteca passou a servir de sede ao Museu de Arte Popular, implantado em minha gestão, sob consultoria da antropóloga Lucia Hussak.
No entanto, a gestão de Duciomar Costa, abandonou não somente o Chalé, mas a Biblioteca Municipal, além de fechar as portas do Museu de Arte Popular, sem preservar as obras do acervo até agora desaparecido. A situação piorou ainda mais quando, diante da situação precária de conservação do prédio, o Prefeito de Belém Zenaldo Coutinho – sem que houvesse um laudo técnico especializado sobre a situação estrutural do prédio – tomou a decisão unilateral de fechar o Chalé Tavares Cardoso e alugar uma casa para que a Biblioteca Municipal seja instalada provisoriamente.
Moradores de Icoaraci, artistas, artesãos e intelectuais – unidos no Movimento Grita Icoaraci – estão organizando um abaixo-assinado pela internet para recolher assinaturas, para sensibilizar o poder público a restaurar o prédio. E precisamos nos unir a essa luta.
Senhores deputados e senhoras deputadas, abandonar um patrimônio histórico púbico como o Chalé Tavares Cardoso é o que se pode classificar, sim, como vandalismo. E nós, como parlamentares eleitos pelo povo desse Estado, não podemos fechar os olhos para mais esse ataque a nossa memória, a nossa história.
Com base no acima exposto, REQUEIRO de acordo com os termos regimentais, que esta casa envie à Prefeitura de Belém pedido de imediatas e eficazes providências a fim de preservar o Chalé Tavares Cardoso, no distrito de Icoaraci, bem como requerer junto ao Governo do Estado sua intervenção no caso, no sentido de impedir a destruição deste patrimônio histórico de valor inestimável ao povo paraense.
REQUEIRO também que seja dado conhecimento do teor integral deste documento ao Movimento Grito Icoaraci, ONG Icoaraci Periferia, Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), Ministério Público Estadual (MPE), Fundação Cultural do Município de Belém (FUMBEL) e Secretaria Municipal de Urbanismo 


Concebido em arquitetura eclética, influenciada, principalmente, pelo neoclassicismo francês, o Chalé Tavares Cardoso, um casarão do século XIX, localizado em Icoaraci, distrito de Belém, está parcialmente alagado. No local funciona a Biblioteca Municipal Avertano Rocha, a única do distrito. Sempre que chove, devido a grande quantidade de lixo jogada na área, a situação de alagamento se repete





Fatores deteriorantes
Agentes Físicos: temperatura, umidade, ações do tempo.
Agentes Humanos:Ignorância.
Agentes Naturais: Enchentes

Patologias
Telha: Infiltração em cumeeiras, beirais, alterações das técnicas.
Alvenaria:trincas, fissuras, manchas de infiltrações.
Fatores de Umidade: umidade de precipitação e falta de manutenção
Abaulamento do piso: recalque das estruturas, expansão do subsolo


Proposta de Solução


·         Troca das telhas antigas por novas, com formatos adequados e caimento ideal, melhorar a estrutura.
·         Implantar um novo sistema de drenagem que vai acabar com o alagamento do terreno
·         Impermeabilizar toda a estrutura e alvenaria.
·         Reformar toda a alvenaria, aplicando-se um reboco para fechar as fissuras e as trincas existentes.
·         Dar novamente um uso ao local, fazendo sempre as manutenções necessárias.