Follow by Email

sábado, 22 de julho de 2017

Poesias


Na disciplina de Técnicas Retrospectivas, convido alunos a pensar a cidade e passar para o papel seu olhar reflexivo e poético.

Poucos são os que se aventuram, mas tudo que chega é de extrema beleza.

EMÍLIA DE MELLO NASCIMENTO

O mais longe e o tão próximo

O meu presente pode dizer que talvez essa parte de mim,
Não tenha a despojar de tantos acasos, andares e verbos deixados por lá,
Um lar não tão longe, mas que eu não o consigo mais acompanhar
E fazer que o afim, seja o fim.

Eram manhãs que logo não vinham as tardes,
Uma tv ligada, um vocábulo estragado e horas demasiadas,
Minha casa, a rua, a esquina, a cidade...
Aquele vergonhoso espaço, onde subtraiu todo o meu eu de hoje.

Casa

Possa até ser de calento meu, mais infringir, ilusionar
Não fazem parte do que eu quero mostrar,
Pois aquele lugar, eu não quero lembrar,
Nem quando o sol se vinha e o quanto o pouco se chovia.

Rua

Ruas das quais não tinham e que entoavam o que se via,
Uma hierarquia que estava destruída e o
Quão Jesus carregaria por aquela praça, via, estrada de pura hipocrisia.
Esquina
Conversas imundas, paradas abstratas,
Por pequenas e idolatradas pessoas,
Que desse vazio se espalhava e percorria cada canto com
Mentiras árduas, burocratas e insensatas.

Cidade

Esse era o fim.
Não só foi o meu como o que será o de muitos.
E disso sempre irei lembrar, pois não mais faço parte de lá,
O que se foi eu irei deixar, mesmo que ainda vou carregar,
As minhas memórias e esperanças de um lugar tão vulgar.


THIAGO ALBERTO ROCHA GALVÃO

A cidade surge do nada, e se torna algo importante,
para as pessoas que a habitam,
para as pessoas que a conhecem desde o início,
se torna uma memória constante
A idéia de modernidade e atualidade é inevitável,
com pensamentos de arquivamento digital,
com substituição dos documentos originais,
que, para muitos é intragável

A cidade é um lar,
é o lugar onde cada um constrói e vive sua história,
cada um com sua participação,
fazendo dela seu lugar de memória

Então, onde você é feliz e cria sua verdadeira identidade,
é o lugar que você quer preservar,
quer cultivar sua originalidade,
é a memória de histórias vividas,
algo muito em comum com sua personalidade,
por isso as pessoas saem em defesa,
da preservação das memórias de sua cidade.


AUGUSTO PASSOS COSTA

Minha cidade,
Também conhecida como minha história
Nasci e cresci
Na minha cidade
Eu vivi.
Várias memórias me possuem

Desde os encontros na praça
Até as brincadeiras de rua
Mas, uma coisa não posso negar
Que minha identidade ali há de estar.

Tenho memórias coletivas e individuais
Vivências em conjunto e sozinho
Cada uma com suas características, expressividades
Importâncias e singularidades

A cidade é reflexo de interações
Algo que não pode ser perdido
Já que a memória
Nela está submetido

Praças, ruas, festas,
Pessoas, sentimentos e vivências
Minha cidade, minha história
Minha vida, minhas memórias.


JADE ALMEIDA SILVEIRA

E as pessoas continuam..
A bater papo, mas já não tem a mesma paz ..
A praça ainda é a mesma..
Na rua já não há mais terra, mais ainda está ali..
As crianças já não brincam mais..
Os vizinhos ainda estão lá, mas não são mais os mesmos..
A cachoeira já não tem mais água..
A montanha de pedra agora é um enorme buraco..
As grandes árvores frutíferas já não tem mais fruta..
A paisagem limpa e pura já se poluiu..
O vento ainda tenta emaranhar meus cabelos
E eu digo que permaneço a desejar..
 que esse lugar não despareça..
Da minha memória..

GABRIEL HENRIQUE DE OLIVEIRA

Das mais belas divindades,
Eis aquela linda cidade,
Cercada por matos e flores,
Nos deliciando com frutos de novos sabores.

Cidade simples e delicada,
Onde crianças brincavam,
Trazendo alegria por onde passavam.

Foi lá naquela pequena cidade,
Enquanto bebê tive a primeira imagem,
Sendo que só estive de passagem,
Demonstrando aqui, minha triste homenagem.

Minha antiga cidade,
Cidade em que cresci,
Cidade onde vivi,
Cidade que só me resta saudade.

sábado, 21 de janeiro de 2017

Passa Tempo - Residência da família do Capitão Tito (Batatais/SP)

Em uma cidade com mais de 200 anos de história, não é difícil encontrar fotografias de paisagens que não existem mais.

Também não é difícil encontrar grupo de moradores que compartilham estas fotografias nas redes sociais, para matar a saudade e até conhecer um pouco mais sobre a história.

Este é o caso de Batatais/SP, cidade que em março completa 178 anos (14/03/1839)  de emancipação política, mas que possui mais de 201 anos de freguesia (25/02/1815).

Na cidade existe o grupo Acervo Digital de Batatais criado por Erivelton Manetti em 09/04/2013 no facebook com o objetivo de reunir fotos e fatos que marcaram a vida de seus habitantes.

Com tantas fotos e fatos postados, inicio meu projeto "Passa Tempo" em que uno o passa tempo de desenhar croquis de observação da arquitetura com o registro de construções que passaram no tempo e não existem mais.

A primeira casa que me chamou a atenção para iniciar este projeto é a casa morou a família do Capitão Tito, um dos primeiros e mais importantes comerciantes de Batatais no inicio do seculo XX, localizada na Rua Santos Dumont e demolida em meados dos anos de 1970.

No grupo Acervo Digital também há informações que nesta casa funcionou o escritório do Gaeta Café, com entrada pela rua Santos Dumont.
Segue-se a pesquisa se no local funcionou o Fórum de Batatais.

 Foto capturada da página do face do Grupo Acervo Digital de Batatais
fonte: https://www.facebook.com/groups/AcervoDigitalBatatais/ 
Croqui realizado 

Localização no Google Maps






MAIS UMA PRIMEIRA AULA

Na apresentação do livro Patrimônio: atualizando o debate (IPHAN, 2006) o arquiteto e professor Carlos Lemos escreve que é rara a oportunidade de editoras publicarem "questões  referentes às políticas  e critérios de salvaguarda e restauração de bens culturais, sobretudo arquitetônicos, visando debater ideias e quem sabe chegar a consensos".
Segundo Lemos, o tema não possui interesse popular e raramente os órgãos oficiais se propõem a discutir em público seus procedimentos como se estivessem a se justificar.




Escolhi a abertura de Carlos Lemos para a abertura da aula deste ano, pois foi há exatos 19 anos que li meu primeiro livro sobre o tema O que é Patrimônio Histórico da Coleção Primeiros Passos, publicado pelo mesmo autor em 1981, ou seja, há 36 anos este admirável professor trouxe a público conhecimentos complexos de forma simplificada e acessível  que até hoje o motiva a trabalhar, estudar e ensinar.

No link abaixo há um documentário que consegue transmitir um pouco da essência deste grande homem.


Feitas as devidas e merecidas referências ao professor Carlos Lemos, proponho a seguinte reflexão:

Por que o debate sobre patrimônio possui pouco interesse popular?

Por que o autor afirma que os debates sobre o tema nem sempre chegam a consensos?

Mais adiante, no mesmo texto de apresentação, o autor dá as primeiras respostas.

"O técnico preservacionista, no entanto, está permanentemente cercado de opiniões, até conflitantes, relativas a critérios de conservação, a comportamentos perante monumentos arquitetônicos e a respeito das cidades. Muita filosofia, muita teoria.!" (LEMOS, 2016, p.13)



quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

CIDADES FANTASMA

O professor do Departamento de Arquitetura e Urbanismo do CTU, Nestor Razente, lançou o livro "Povoações abandonadas no Brasil" que faz um levantamento inédito sobre cidades brasileiras que morreram, ou seja, perderam suas populações, deixando um rastro de ruínas, além do registro histórico. 








O autor explica que oito cidades brasileiras deixaram de existir entre os séculos 19 e 20 - Ararapira (PR), Biribiri (MG), Airão Velho (AM), Desemboque (MG), Bom Jesus do Tocantins (TO), Cocori (SE), Fordlândia (PA) e Ouro Fino (MG). Destes municípios o professor conseguiu visitar pelo menos três, onde fez um levantamento sobre as ruínas, condições topográficas, além de registros fotográficos. Os demais o professor conseguiu reunir materiais inéditos, que estão organizados no livro em 372 páginas, com 97 imagens. 

Mais informações: 



LEVANTINISMO???

TCC espanhol apresenta um novo conceito que representa a tendência a suspender as regras que regem o território no momento em que era comum aos espanhóis possuírem uma segunda casa. 
LEVANTINISMO, no Oriente significa as pessoas originárias de grupos sociais inferiores, que aspiram ascender socialmente redundando em deformações específicas de consciência e atitude. A pretensão do indivíduo em ser o que não é gera o anseio de imitar modelos de um grupo social mais alto.

(O Processo Civilizador 2: Formação do Estado e Civilização)


E a história se repete...

Há mais de 15 anos pesquisando sobre a preservação do patrimônio nas cidades brasileiras e ainda encontrando manchetes sobre o descaso com a história em nosso país.


http://oglobo.globo.com/rio/crescimento-da-cidade-derruba-palacios-igrejas-casarios-20586381


domingo, 27 de março de 2016

PONTUAÇÃO DO PATRIMÔNIO

Para auxiliar o debate sobre o valor patrimonial podemos utilizar a tabela abaixo, que avalia o grau de LEGITIMIDADE, PARTICULARIDADE e AMPLITUDE

                                       1                                 2                             3

LEGITIMIDADE    uma pessoa pode            muitas pessoas               todos conhecem e
                                           confirmar a história         podem confirmar          acreditam na história


PARTICULARIDADE  história que pode ter    história que pode ter        história que só pode
                                           acontecido em qualquer    acontecido em algumas      ter acontecido nesta
                                                  cidade                                   cidades                              cidade


AMPLITUDE       é uma história                       é uma história                   é uma história
                                importante apenas para        importante para várias             importante para
                                           quem a viveu                       pessoas                     a população inteira


Tabela adaptada do material educativo da Pinacoteca do Estado