sexta-feira, 24 de junho de 2011

Museu para harmonia social

                Em 2010, o Ministério da Cultura lançou o tema: "Museu para harmonia social" para a semana nacional de museus.”, entendendo o museu como um local que divulga e preserva as diferentes culturas, além de ser também um espaço de lazer e convivência entre os diferentes.
Espaço organizado para o cinema (Diferenças - Turma do Cocoricó)


                Pensando por esta linha, o museu de Batatais traz a exposição “Antigo e Diferente” em que apresenta peças criadas em diferentes contextos históricos para atender à necessidades semelhantes, propondo um comparativo de épocas e povos.



A primeira parte da ação educativa é assistir a um filme do Cocoricó que fala sobre um amigo do Júlio que é cego e escreve em Braile.










Embaixo do tapete foram colocadas imagens de peças que compõem o acervo do museu, e neste momento os alunos estão tentando identificá-las e relacioná-las com os dias atuais.


                A idéia principal é focar em poucas peças que possam realmente gerar uma reflexão sobre as mudanças do tempo e a valorização de cada época.
Atividade de ligar os objetos similares

                Além da exposição, o museu ofereceu um conjunto de atividades relacionadas ao tema, proporcionando uma maior permanência em contato com a história e a convivência no espaço da Estação Cultura.

As peças que mais marcaram foram desenhadas pelos alunos 
Outra experiência inesquecível, foi escrever o nome na velha máquina de escrever

Outras crianças reproduziram as peças mais curiosas em miniatura de massinha





                Tivemos  uma pequena seção de cinema, jogos, brincadeiras, oficinas de arte e atividades recreativas na praça da estação, todas relacionadas ao tema da harmonia social e o respeito às diferenças.
Turma da escola Célia Bueno


              

domingo, 12 de junho de 2011

Passo a passo da política patrimonial no Brasil

1808: Somente com a vinda da família real para o Rio de Janeiro, teve início as preocupações com a preservação de bens definidos como patrimoniais, principalmente oriundos da colonização portuguesa, desconsiderando a produção indígena e negra.
1822: Proclamação da Independência, sem referência ao Patrimônio Nacional.
1824: Constituição não faz referência ao Patrimônio Nacional.

PERÍODO IMPERIAL: O interesse pelos bens patrimoniais ficou entre os colecionadores individuais.
1838: Instalação do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro no Rio de Janeiro, com a finalidade de fazer a história do Brasil.

PERÍODO REPUBLICANO: Descaso com a preservação dos documentos e monumentos. 
1920: Anteprojeto de Lei sobre a defesa do Patrimônio Artístico pela sociedade brasileira de Belas-Artes é negado no Congresso Nacional, sugerindo a desapropriação de bens arqueológicos (a propriedade privada é intocável).
1922: Semana da Arte Moderna, em defesa da identidade brasileira. Reconhecimento do Museu histórico Nacional pelo Congresso.
1923: Projeto de Lei para salvar o patrimônio através da criação da "Inspetoria dos Monumentos Históricos dos Estados Unidos do Brasil".
            Projeto de Lei para conservar os imóveis públicos e particulares de interesse nacional.
1924: Complementação do Projeto de Lei visando coibir a saída da obra de arte tradicional brasileira (não aprovado por não haver restrições ao direito de propriedade).
1925: Projeto de criação de um Órgão Nacional do Patrimônio ficou esquecido no Congresso.
            Minas, Bahia e Pernambuco criaram leis estaduais de proteção que não tinham respaldo na Constituição, mas serviram de subsídio para legislações posteriores.
            Projeto de Lei: "os móveis ou imóveis, por natureza ou destino, cuja conservação possa interessar à coletividade, devido a motivo de ordem histórica ou artística, serão catalogados total ou parcialmente na forma desta lei e sobre eles, a União, ou os Estados passarão a Ter direito de preferência."

1931: CARTA DE ATENAS (importância da preservação do Monumento Histórico e da Conservação)
1933: Ouro Preto é o 1º monumento histórico oficial brasileiro, através do Decreto 22.928. Getúlio Vargas recriou e inventou tradições que remetiam a momentos de rebeldia e luta pela independência nomeando a cidade de Ouro Preto.
1934: Constituição apresenta ante-projetos para a criação da memória nacional, regulamentação do Museu Histórico Nacional com os serviços de proteção aos monumentos e obras de arte, passando a exercer a inspeção dos monumentos nacionais e o controle do comércio. O museu foi o primeiro órgão oficial encarregado da defesa de nossos monumentos entre os anos de 1934 a 1937.

            A Constituição também abrandou o direito de propriedade diante da função social.
1935: Mário de Andrade assume a direção do departamento de cultura de São Paulo.
1936: Mário de Andrade elabora um ante-projeto pela liberdade de se pensar a cultura durante a ditadura, defendendo o patrimônio artístico do vandalismo e extermínio. Criação do SPHAN, com a defesa da inclusão do termo História pelo Ministro da Educação e Saúde Gustavo Capanema. Sugestão de que cada capital tivesse uma delegacia do Sphan, baseado nas experiências da Itália e França.
            Categorias de arte segundo Mário de Andrade:
Arqueologia
Ameríndia
Popular
Histórica
Erudita nacional
Erudita estrangeira
Aplicadas nacionais
Aplicadas estrangeiras
1937: O SPHAN define que o Patrimônio Histórico e Artístico Nacional é: "o conjunto dos bens móveis e imóveis existentes no país e cuja conservação seja de interesse público, quer por sua vinculação a fatos memoráveis da história do Brasil, quer por seu excepcional valor arqueológico, ou etnográfico, bibliográfico ou artístico." (Decreto Lei 25 artigo 1º)
            O SPHAN foi criado como um intervenção do governo federal no campo da cultura, sob a direção de Rodrigo Melo Franco de Andrade.
            A missão do SPHAN era inventariar a amostragem mais significativa da formação brasileira, socorrer os monumentos ameaçados e realizar medidas de tombamento.
            A primeira cidade a ser preservada no Brasil foi Ouro Preto, importante para a identidade nacional.
            A Constituição determina que o direito de propriedade não é mais exclusivo do proprietário, diante do interesse coletivo, o bem fica sujeito à ingerência do Estado para o cumprimento da função social, o que tornou possível os processos de tombamento.
            Os estados do Rio de Janeiro e Minas Gerais centralizaram as realizações do SPHAN na primeira fase.
            No Rio, o SPHAN buscou preservar o desenvolvimento urbano colonial do século XVIII (marco da consolidação portuguesa).
            As cidades históricas de Minas passaram a ser vistas como documentos históricos e cidades-museus.
            A ênfase dada à preservação priorizou os bens de pedra e cal, deixando a segundo plano o folclore, língua, cantos, distanciando da proposta original de Mário.
            Em 10/11/1937 Getúlio Vargas instala o Estado Novo como única alternativa à crise criada pela iminência de uma guerra civil ou mundial, implantando a ditadura que anulava liberdades públicas, impondo um governo centralizado e autoritário.
            Houve um constrangimento por parte da intelectualidade modernista em colaborar com a burocracia estatal, mas a possibilidade de participar do processo de construção institucional na área da cultura superou ambigüidades.
1938: 291 bens tombados

1939: 337 bens tombados
32 em Minas Gerais
6 na Bahia
2 em Pernambuco
2 no Rio de Janeiro
2 no Piauí
1 em São Paulo
1 em Santa Catarina
1941: Alteração do decreto-lei, dando poder de cancelamento do tombamento pelo presidente.
Com o final da 2ª Guerra, os bens patrimoniais passaram a constituir tema de discussões estimuladas pela imensa perda do patrimônio edificado europeu e nesse contexto foi criado o ICOMOS, voltado para a conservação e o restauro do patrimônio urbano.
A direção do ICOMOS  no Brasil ficou a cargo do diretor do Museu Nacional de Belas Artes (Oswaldo Teixeira) e de Rodrigo Melo Franco de Andrade.
1946: A Constituição faz referência explícita à proteção de documentos históricos, e sobre a responsabilidade do Estado, Município e Nação para com a proteção do patrimônio.
            O SPHAN  é transformado em DPHAN (Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) com distritos subordinados em Recife, Salvador, Belo Horizonte e São Paulo.
            O DPHAN foi criado pelo decreto 8.534
1955: JK constrói a nova capital federal com o discurso industrial desenvolvimentista, que nasce já como patrimônio.
1958: Campanha de Defesa do Folclore Brasileiro (CDFB)
1964: CARTA DE VENEZA , sobre a conservação e restauração de monumentos e sítios.
            No Brasil houve a regulamentação do Patrimônio natural, com a Lei dos sambaquis, que regulamentou os achados arqueológicos e pré-históricos, Código Florestal, Lei de Proteção à Fauna.

1936 a 1966: FASE HERÓICA DO PATRIMÔNIO, VIAGENS PARA DESVENDAR A REALIDADE BRASILEIRA, COM ESCASSEZ DE RECURSOS.
            Listagem do Patrimônio de maior importância, salvar prédios em risco, introdução de novas leis com pouca verba e poucos profissionais.
1967: A Constituição Federal criou novas categorias de bens, como as jazidas e sítios arqueológicos, além da garantia a qualquer cidadão do direito de propor ação popular contra os atos lesivos ao patrimônio.
1968: AI-5 alteração da relação entre estado e Cultura, com a supressão da cultura crítica politizada, afastamento de Rodrigo Melo Franco de Andrade.
1970: DPHAN  se transformou em IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) através do decreto 66.967.
            COMPROMISSO DE BRASÍLIA (Atuação dos Estados e Municípios na preservação, criação de órgãos municipais e estaduais), formação profissional, estímulo à produção artística, utilização de imóveis históricos para abrigar repartições culturais.

            PAC: Programa de Ação Cultural, com financiamento para ações ligadas às manifestações culturais.
            PCH: Programa de Reconstrução das Cidades Históricas, investimentos pelo governo federal na preservação e incrementação do turismo.
1972: CONVENÇÃO DO PATRIMÔNIO MUNDIAL / UNESCO
1975: PNC (Política Nacional de Cultura)tentativa do governo em se aproximar de artistas e intelectuais, supressão gradativa da censura.
CNRC (Centro Nacional de Referência Cultural)idealizado por Aloísio Magalhães, voltado para as expressões culturais das populações carentes, críticas à política de preservação até então voltada para a pedra e cal.
            Desenvolvimento de programas de preservação da cultura popular autenticamente nacional (cerâmica, tecelagem, artesanato).
            Lei 6.292 - Limitações do IPHAN, passando a responsabilidade do tombamento para o Ministro da Cultura.
            Criação de 9 novas diretorias regionais e de 7 grupos de museus e casas históricas.
1976: é aprovado o regimento interno do IPHAN, os distritos regionais foram transformados em diretorias e em cada capital havia um corpo técnico responsável, subordinado a uma diretoria regional.
1979: IPHAN  volta a ser SPHAN e é criado a FUNDAÇÃO PRÓ-MEMÓRIA, dirigido por Eduardo Portela e sob supervisão do MEC.
            SPHAN: Sub-Secretaria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Lei 6.757)
1967 a 1979: FASE DO DECLÍNIO
1980: Criação de um novo órgão - SPAHN/PRÓ-MEMÓRIA.
            Aloísio Magalhães expande os conceitos sobre o bem cultural para incluir o bem ecológico e o saber fazer das populações. "A política do patrimônio deve ir além do belo e do velho."

            Ouro Preto é nomeado Patrimônio da Humanidade.
1982: Faleceu Aloísio Magalhães
            Centro Histórico de Olinda é Patrimônio da Humanidade.
1983: Missão Jesuíta dos Guaranis é nomeada Patrimônio da Humanidade
1985: Instalação do Ministério da Cultura incorporando o SPHAN/PRÓ- MEMÓRIA
            Santuário do Bom Jesus dos Matozinhos é nomeado Patrimônio da Humanidade.
            Centro Histórico de Salvador   é Patrimônio da Humanidade.
1986: Parque Nacional do Iguaçu é nomeado Patrimônio da Humanidade
            Lei Sarney de incentivo a investimentos privados na área cultural como desconto no imposto de renda.
1987: Brasília é Patrimônio da Humanidade
1988: Constituição define que a preservação deve acontecer independente dos tombamentos.
            Constituição Cidadã atribui à comunidade a competência de zelar pela preservação do patrimônio, juntamente com os municípios, o Estado e a Nação.
            Os bens que a Constituição Federal define como passíveis de proteção são:
Formas de expressão
Modo de viver, criar e fazer
Ciência, arte e tecnologia
Obras, documentos e edificações
Conjuntos urbanos, históricos, paisagísticos e arqueológicos.
1990: O Decreto 99.492 transformou o SPHAN em IBPC (Instituto Brasileiro do Patrimônio Cultural) subordinado à Secretaria de Cultura. O SPHAN é transformado em autarquia vinculada à Secretaria da Presidência da República.
1991: Lei Rouanet (incentivo a investimentos culturais).
            A fundação Pró-Memória deixa de existir. A estrutura que respondia pela preservação foi desmatelada durante o Governo Collor, houve demissão de muitos técnicos e fechamento de vários museus.
            Parque Nacional da Serra da Capivara é Patrimônio da Humanidade.

1992: O órgão do patrimônio voltou a subordinar-se ao Ministério da Cultura.
            Impeachment  de Collor em outubro de 1992.

1994: Medida provisória 610 transforma o IBPC em IPHAN a fim de resgatar as raízes idealizadoras do patrimônio.
            Atualmente o IPHAN exerce ação de salvaguarda sobre cerca de mil monumentos arquitetônicos, dezenas de conjuntos urbanos, um parque histórico e algumas cidades históricas.
            O IPHAN constitui uma rede de museus e casas históricas, aproximadamente 30.
            As mudanças de nome pelo qual passou o IPHAN refletem uma descontinuidade na política cultural.
1997: Centro Histórico de São Luis é Patrimônio da Humanidade.
1999: Centro Histórico da cidade de Diamantina e a Floresta Atlântica são Patrimônio da Humanidade.
2000: Pantanal é Patrimônio da Humanidade.
200/2003: Amazônia Central é Patrimônio da Humanidade.
2001: Chapada dos Veadeiros e Parque Nacional das emas são Patrimônio da Humanidade.
            Fernando de Noronha e reserva Atol das Rocas.
            Cidade de Goiás.
OUTRAS INSTITUIÇÕES:
ABRACOR: Associação Brasileira de conservadores e Restauradores (Rio de Janeiro)
CECRE: Curso de Especialização em Conservação e Restauração (UFBA - Salvador)
CECOR: Curso de especialização em Conservação e restauração de Bens Culturais Móveis (Belo Horizonte)
ABER: Associação Brasileira de Encadernação e Restauro (São Paulo)
CPC/USP: Comissão do Patrimônio Cultural da USP (São Paulo)
IEPHA: Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais
INEPAC: Instituto do Patrimônio do Rio de Janeiro
CONDEPHAAT: Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arquitetônico e Turístico de São Paulo
IPAC: Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia
ONICOM: Organização Nacional do ICOM , defesa e organização dos museus.
ABM: Associação Brasileira de Museologistas

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Cultura acessível a todos



O Centro de Documentação Histórica – Pesquisa II Guerra Mundial (1939/1945) constitui um espaço de memória organizado pela Capitã Altamira Pereira Valadares, enfermeira batataense da Força Expedicionária Brasileira, que se dedicou à coleção de fotografias, documentos, livros e objetos relacionados à história da II Guerra Mundial, para a formação de um local de pesquisa e documentação em Batatais.
O acervo do Centro de Documentação é composto por fardas e documentos dos pracinhas, uniformes de campanha e de gala das enfermeiras, marmitas, cantis, talheres, botas, sapatos, galochas, objetos de primeiros socorros, medalhas, documentos e fotografias das enfermeiras, além de inúmeras fotografias, suvenires, publicações (livros, revistas e jornais) sobre a Segunda Guerra Mundial e a Força Expedicionária Brasileira, além de uma exposição itinerante.
            Todo este material constitui uma fonte de pesquisa extensa e muito detalhada sobre este triste fato histórico mundial, com riqueza de informações contidas nos relatos diários da própria Capitã Altamira e nas inúmeras fotografias, grande parte com identificação.
            Construída com os próprios recursos da Capitã Altamira, a sede definitiva do Centro de Documentação foi inaugurada no dia 06 de Maio de 1994. Em Março de 2004 a Capitã Altamira faleceu, deixando como sua sucessora a sobrinha Ivete Pereira Lavagnoli de Montanha que, em parceria com o poder púbico municipal e o Tiro de Guerra de Batatais, sob a instrução do 1º Sargento Edivo Gomes da Silva, iniciou em 2007 as obras de reforma do Centro de Documentação e nova organização museográfica, inaugurada no dia 17 de Maio de 2008.
          



          A ação educativa desenvolvida pelo Centro de Documentação da II Guerra Mundial surgiu após a realização do Fórum de Educação promovido pela Secretaria Municipal de Educação e Cultura em Julho de 2008, cujo tema principal era a questão da inclusão dos portadores de necessidades especiais na rede pública de ensino.
          Além de freqüentar a sala de aula adaptada para atender a necessidade do aluno especial, sem separá-lo do contato com outros alunos, as atividades extra classe também devem ser adaptadas para não excluir nenhum aluno com qualquer limitação física ou mental.
          Sendo o Centro de Documetação da II Guerra uma instituição cultural parceira da educação, entendemos que podemos trabalhar de forma efetiva na diminuição dos preconceitos, da intolerância e da ignorância em relação à questão da inclusão.


Para tanto, tivemos que encontrar um caminho próprio para contribuir com a educação, e estabelecer novos parâmetros na divulgação de nosso acervo sobre a participação dos batataenses na II Guerra Mundial, implementando processos expositivos que exploram os sentidos e incentivam a integração entre os diferentes.
       Nesta exposição, o público pode conhecer detalhes sobre as aventuras, vitórias e dificuldades pelas quais os brasileiros passaram no roteiro desenvolvido pela FEB (Força Expedicionária Brasileira) em solo italiano durante a II Guerra. 


O princípio básico de nossa ação educativa é a experiência direta com os objetos juntamente com a utilização de recursos sonoros, olfativos e táteis, para se chegar à compreensão e valorização da história, num processo contínuo de descoberta.
A todos os visitantes foi oferecida a oportunidade de se fazer o percurso com vendas nos olhos, acompanhando a demarcação de uma corda no chão. O alto relevo proporcionado pela corda devidamente pregada ao chão com fita adesiva larga e transparente, facilita o uso de bengalas ou do próprio tato do pé na identificação do caminho a ser realizado. Um tapete emborrachado (utilizado em chuveiro) foi fixado ao chão para demarcar os trechos de parada.



O primeiro ponto de parada corresponde ao primeiro dia dos brasileiros na Itália, quando os mesmos dormiram ao relento em um bosque localizado próximo ao vulcão. Neste trecho há a utilização de folhagens e odores artificiais de eucalipto para contextualizar a mata e os visitantes podem manusear os utensílios utilizados para alimentação dos soldados, percebendo a diferença entre as marmitas produzidas no Brasil e nos EUA. 



Continuando o trajeto, o próximo ponto de parada possui uma escultura em papel machê da capitã Altamira com as medidas verdadeiras e objetos utilizados pela mesma durante a guerra, que também podem ser manuseados. A escultura da capitã foi feita por um casal de artistas plásticos (Débora de Paula e Júnior Vasconcellos) em 2007. 


Todos os objetos da exposição estão com etiqueta em português e etiqueta em Braille.
O trajeto também é contextualizado com uma trilha sonora, criada pelo técnico Luciano sendo em um primeiro momento uma música que representa a longa viagem de navio até a Itália. Em alguns momentos a trilha é interrompida por tiros e disparos diversificados, se intensificando com outra música simbolizando a tensão das batalhas.
Quando o visitante chega à terceira parte do roteiro, ele pode tatear algumas representações em relevo de monumentos italianos feitos com EVA, cola com relevo e areia colorida. 



          Uma sociedade que não se reconhece está fadada à perda de sua identidade e ao enfraquecimento de seus valores mais intrínsecos.
Diante desta realidade, apresentamos a proposta de uma ação educacional voltada para o uso e apropriação dos bens culturais disponíveis no Centro de Documentação, alertando ao público sobre a importância da preservação de sua memória e valorização da identidade tanto da cidade quanto do país.
Outra oportunidade de aprendizado através do tato está na 4ª parte da exposição em que o visitante pode tatear uma maquete representativa do roteiro da FEB na Itália, e sentir a umidade do mar (gel de cabelo), o relevo dos Montes Apeninos (gesso) a localização do cemitério de Pistóia e os pontos de vitória dos brasileiros. 





Um resumo sobre a história da II Guerra está exposto em 7 banners que foram traduzidos para o Braille.
Quando o visitante está nesta etapa, geralmente a trilha sonora já está tocando a “Tarantela” simbolizando a felicidade pelo final da guerra.

A 5ª parte da exposição é uma maquete em EVA representativa de uma foto do Cemitério de Pistóia, onde os brasileiros mortos em combate ficaram enterrados até 1960.
Por fim, o visitante chega ao início novamente do roteiro estabelecido pela corda, só que do outro lado  da mesa com os objetos que representam a chegada dos brasileiros há uma parede com a foto dos seis batataenses dos 33 que foram para a II Guerra, que estão vivos e as três medalhas 





Parceiros: Secretaria Municipal de Educação e Cultura (fornecimento de material para a confecção das maquetes e dos convites, além da compra da corda de identificação do trajeto)
Escola Municipal de Ensino Fundamental Prof.ª Alzira Acra, que disponibilizou os trabalhos da professora Márcia Bonfá na transcrição de todas as etiquetas e informações em Braille e levou seus alunos deficientes visuais para uma visita monitorada ao Centro de Documentação.
Professora Márcia Bonfá que deu as dicas de como adaptar o espaço para a circulação do deficiente visual, com a utilização de cordas e tapetes emborrachados.
Produtor de mídia Luciano Caneli que elaborou a trilha sonora da exposição.
Tiro de Guerra de Batatais 02-047 na aquisição de tintas para a confecção da maquete do roteiro da FEB.


Objetivos do Projeto/Ação:
Geral:
·          Permitir a interação dos visitantes com o espaço e os objetos em exposição, através de um roteiro pré-determinado.
·          Possibilitar o contato com a escrita em braile para todos os presentes.
·          Conscientizar o público sobre a importância de se pensar e preparar os espaços com acessibilidade para todos os tipos de pessoas.
·          Ampliar a percepção da exposição com a utilização do tato, audição e olfato.
·          Contribuir para o aprendizado da temática da II Guerra em parceria com as turmas que estudam este assunto a partir do 3º bimestre (8ª série e turmas colegiais)
Específicos:
·          A ação educativa intitulada “Um Novo Contato com a Itália” tem como principal objetivo possibilitar o acesso do deficiente visual a uma exposição sobre a II Guerra Mundial.
·          Democratizar o Centro de Documentação.


terça-feira, 17 de maio de 2011

Museu e Memória

Mês dos Museus
De 02 a 27 de Maio de 2011
“Museu e Memória”


1- Apresentação
        No dia 18 de maio, comemoramos o Dia Internacional dos Museus, data instituída pelo ICOM (Conselho Internacional de Museus) em 1977, com a intenção de promover a conscientização da população sobre a importância dos museus no desenvolvimento social.
        Também sobre a coordenação do ICOM, a cada ano os museus recebem uma proposta de temática para ser trabalhada, sendo que em 2011 o tema será “Museus e Memória”.
        Acreditamos que este tema seja de fácil compreensão, uma vez que o museu é criado com a intenção de guardar e divulgar os fatos do passado. Porém, o desafio está em como tornar um tema simples em um projeto interessante que atraia a população.
        E foi priorizando o desafio de realizar algo inovador, que elaboramos este projeto de ação educativa voltado para o contato com objetos que geram memórias e histórias.
        O projeto é realizado nas dependências da Estação Cultura Editor José Olympio, mais precisamente na área livre aos fundos e no Museu Histórico e Pedagógico Dr. Washington Luis, de 02 a 27 de maio, no período da manhã e à tarde, atendendo a um grupo de no máximo 50 pessoas em cada etapa com duração de 2h e 30 minutos.
        Dentre as atividades previstas estão as oficinas de escavações arqueológicas no terreno aos fundos da estação, contadores de histórias e encenação teatral, tendo como público alvo os estudantes do ensino fundamental e médio.



2- Justificativa

         O presente projeto faz parte da 11ª edição da Semana dos Museus, organizada pelo Ministério da Cultura em parceria com instituições museais de todo o país.
        Desde 2008, o Museu Histórico e Pedagógico Dr. Washington Luis participa da programação, com atividades diversificadas de acordo com o tema proposto, atendendo a uma média de 1.500 crianças e adolescentes em cada edição.
        As atividades propostas para 2011 visam provocar um maior questionamento sobre os objetos antigos e as possibilidades de aprendizado que os mesmos proporcionam.
        Neste contexto se insere a ação educativa de “Escavações Arqueológicas”, em que iremos criar um campo arqueológico nos fundos da Estação Cultura, para que o público participante tenha a oportunidade de realizar a busca por pequenos objetos enterrados nesta área.




        Após encontrar os objetos, os mesmos devem ser separados por categorias nas mesas de trabalho, identificados e estudados a fim de se retirar informações no próprio objeto e em seu contexto, sendo o objeto o único portador das informações através da observação de seu material, cor, funcionalidade, estado de conservação e demais informações.


        A segunda etapa da ação educativa será a apresentação baseada no livro de Ana Maria Machado “Bisa Bia, Bisa Bel”,em que um personagem irá resgatar as histórias de seus antepassados através dos objetos encontrados na escavação. 



        Por fim, na terceira etapa o publico participante irá conhecer o acervo do Museu e a importância da guarda desses objetos para a história de Batatais.




        A sequencia das atividades tem a intenção de fazer com que o participante sinta a necessidade de conhecer a história dos objetos encontrados aleatoriamente no terreno preparado para escavação e depois faça a relação com a riqueza de informações que podemos obter dos objetos antigos nas narrativas. A visita ao acervo do Museu, comprova a importância da preservação de objetos que nos ajudam a contar a história de uma localidade e a manter esta memória viva.
        Esta ação educativa foi pensada com o ojetivo de provocar a participação do público, atribuindo a ele experiência de ser o responsável pela proteção dos achados arqueológicos.



3- Objetivos
            O principal impacto que este projeto pretende causar é a mudança de atuação do público diante de um objeto antigo.
        Ao escavar a área preparada para a pesquisa arqueológica, os alunos serão responsáveis pelas descobertas e pelas investigações provenientes da terra, cabendo a eles a tarefa de cuidar dos achados e tentar relacioná-los.




        As peças enterradas serão organizadas e disponibilizadas de forma contar a história de uma família fictícia que viveu no século XIX: instrumentos de cozinha, pedaços de louças, caixinhas com retratos, moedas antigas, candeia, pedaços de pisos e telhas, caixinha com cartas, pequenos broches, prendedores de cabelo e demais objetos relacionados ao cotidiano de uma família.
        O projeto é inovador em Batatais e muito envolvente, garantindo a participação de todos nas três etapas.
4- Público Alvo
Como projeto anual, estamos habituados a atender ao público estudantil do 5º ano do Ensino Fundamental, tanto da rede pública quanto da particular.
Pretendemos manter esta faixa etária, para que a cada ano tenhamos este público participando de uma ação educativa no museu.
Na faixa etária de nove a onze anos, as crianças estão aptas e interessadas em conhecer as histórias de outros tempos, conseguindo fazer relações com os dias atuais.
Como nos eventos anteriores, nossa meta de público está entre 1.000 e 1.500 crianças.

5-    RESULTADOS PREVISTOS

- Trabalho em equipe na busca pelos objetos enterrados
- Desenvolvimento da investigação com a ajuda dos demais objetos
- Seleção dos objetos em categorias
- Participação na ação educativa com responsabilidade
- Compreensão sobre o papel do museu como espaço de memória



Texto adaptado do livro “Guilherme Augusto Fernandes” de Mem Fox

         Era uma vez um menino chamado Guilherme Augusto Araújo Fernandes e ele nem era tão velho assim. Sua casa era ao lado de um asilo de velhos e ele conhecia todo mundo que vivia lá.
         Ele gostava da Senhora Silvano que tocava piano.
         Ele ouvia as histórias arrepiantes que lhe contava o Senhor Cervantes.
         Ele brincava com o Senhor Valdemar que adorava remar.
         Ajudava a Senhora Mandala que andava de bengala.
         E admirava o Senhor Possante que tinha voz de gigante.
         Mas a pessoa de quem ele mais gostava era a Senhora Antônia Maria Diniz Cordeiro, porque ela também tinha quatro nomes, como ele.
         Ele a chamava de Dona Antônia e contava-lhe todos os seus segredos.
         Um dia, Guilherme Augusto escutou sua mãe e seu pai conversando sobre Dona Antônia.
         _ Coitada da velhinha – disse sua mãe.
         _ Por que ela é coitada? – perguntou Guilherme Augusto.
         _ Porque ela perdeu a memória – respondeu seu pai.
         _ Também, não é para menos – disse sua mãe. – Afinal, ela já tem noventa e seis anos.
         _ O que é memória? – perguntou Guilherme Augusto.
         Ele vivia fazendo perguntas.
         _ É algo de que você se lembre – respondeu o pai.
         Mas Guilherme queria saber mais, então, ele procurou a Sra. Silvano que tocava piano.
         _ O que é memória? – perguntou.
         _ Algo quente, meu filho, algo quente.
         Ele procurou o Sr. Cervantes que lhe contava histórias arrepiantes.
         _ O que é memória? – perguntou.
         _ Algo bem antigo, meu caro, bem antigo.
         Ele procurou o Sr. Possante que tinha voz de gigante.
         _ O que é memória? – perguntou.
         _ Algo que vale ouro, meu jovem, algo que vale ouro.
         Então, Guilherme Augusto voltou para casa para procurar memórias para Dona Antônia, já que ela tinha perdido as suas.
         Ele procurou uma antiga caixa de sapato cheia de conchas, guardadas há muito tempo, e colocou-as com muito cuidado numa cesta. Ele achou a marionete, que sempre fizera todo mundo rir, e colocou-a na cesta também. Ele lembrou-se, com tristeza, da medalha que seu avô lhe tinha dado e colocou-a delicadamente ao lado das conchas.
         Depois achou a bola de futebol, que para ele valia ouro; por fim, entrou no galinheiro e pegou um ovinho fresquinho, ainda quente, debaixo da galinha.
         Aí, Guilherme Augusto foi visitar Dona Antônia e deu a ela, uma por uma, cada coisa de sua cesta.
         “Que criança adorável que me traz essas coisa maravilhosas?”, pensou Dona Antônia.
         E então ela começou a se lembrar...
         Ela segurou o ovo ainda quente e contou a Guilherme Augusto sobre um ovinho azul, todo pintado, que havia encontrado uma vez, dentro de um ninho, no jarim da casa de sua tia.
         Ela encostou uma das conchas no ouvido e lembrou da vez que tinha ido à praia de bonde, há muito tempo, e de como sentira calor com as botas de amarrar.
         Ela pegou a medalha e lembrou, com tristeza, de seu irmão mais velho, que havia ido para a guerra e que nunca mais voltou.
         Ela sorriu para a marionete e lembrou da vez em que mostrara uma para sua irmãzinha, que rira às gargalhadas com a boca cheia de mingau.
         Ela jogou a bola de futebol para Guilherme e lembrou do dia em que se conheceram e de todos os segredos que haviam compartilhado.
         E os dois sorriram e sorriram, pois toda a memória perdida de Dona Antônia tinha sido encontrada, por um menino que não era tão velho assim.